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Anac suspende vendas de bilhetes da Webjet



A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil, após um dia de caos nesta segunda-feira (27) na companhia aérea Webjet, resolveu suspender a venda de bilhetes da empresa até sexta-feira (1).

A medida foi tomada diante dos atrasos e cancelamentos de voos da Webjet. Entre 0h e 22h, foram cancelados 48 voos e outros 38 estavam cancelados de um total 132 voos programados pela companhia.

As informações foram dadas pela Infraero.

A Webjet informou que vai aceitar a determinação da agência que regulamenta o setor de aviação e disse ainda que está trabalhando para normalizar os voos o mais rápido possível.

A Anac reforçou a fiscalização depois de ter constatados os frequentes atrasos e cancelamentos de voos por parte da Webjet, que tomava as medidas para evitar que seus tripulantes voassem acima das horas de voos permitida pela lei.

A Webjet informou que os cancelamentos foram provocados porque a companhia foi obrigada a reduzir o número de voos na última semana de setembro para cumprir a lei nº 7.183, que regulamenta os horários de trabalho dos aeronautas.

A lei nº 7.183 estipula que um tripulante de avião a jato não pode ultrapassar 85 horas de voo por mês, 230 horas por trimestre e 850 horas por ano, por questões de segurança operacional.

A Webjet em julho já havia sido autuada pela Anac por ter excedido a carga horária da sua tripulação, que aplicou uma multa de R$ 225 mil.

Segundo informações da empresa, o problema na programação foi localizado em alguns aeroportos do país, mas cinco medidas já foram tomadas para contornar a situação.

A primeira foi a reacomodação dos passageiros em voos da própria Webjet, enquanto as outras foram a reacomodação em voos de outras companhias aéreas; isenção total das taxas de remarcação normalmente aplicadas; reembolso das tarifas pagas pelas passagens e fretamento de aeronaves.

Devido ao forte crescimento da demanda, a empresa área informou através de nota que precisou remanejar passageiros, tendo avisado previamente sobre os cancelamentos para cerca de 90% deles, evitando deslocamentos descenessários até os aeroportos.

A empresa informou ainda que para atender às regras que limitam o trabalho dos aeronautas está treinando 64 novos co-pilotos e 85 comissários. Eles deverão entrar em atividades a partir de outubro.

Antes da Webjet, foi a Gol que registrou o mesmo problema em agosto, quando mais da metade dos voos sofreram atrasos após um acordo feito entre a companhia e o Sindicato Nacional dos Aeronautas para que os tripulantes não ficassem sobrecarregados e excedessem o limite de horas de voos previsto por lei.

A UOL Notícias informou que a Graziella Baggio, da secretaria do sindicato, disse que já foram registradas pelo menos 600 denúncias de funcionários por excesso de jornada e falta de folga. Segundo a sindicalista, praticamente todas as companhias estão trabalhando fora do limite permitido por lei.

"Tanto não estão cumprindo a lei que as empresas foram obrigadas a parar. Os cancelamentos se deram por conta da fiscalização dentro da empresa. A determinação da Anac não estava sendo cumprida", ressaltou Baggio em entrevista para UOL.

Ela ainda afirmou que se as empresas quiserem atuarem de acordo com a lei vão ter que contratar mais tripulantes.
"O setor está crescendo nos últimos anos e obviamente isso patrocina a contratação de mais trabalhadores. Mas, os empresários visam unicamente o lucro e trabalham com uma política de salários baixos. E a consequência disso é essa falta de tripulantes."



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