Como vem acontecendo desde abril, o Forró da Lua do último dia 24 de julho, antes dos shows de Xangai e Biliu de Campina, realizou mais um debate sobre forró, este ritmo autêntico do nordeste.
Além de Xangai e Biliu, participaram do debate o jornalista pernambucano e pesquisador Paulo Wanderley, o produtor cultural, Dárcio Galvão, de Natal, e Marcos Lopes, idealizador do Forró da Lua e do Museu do Vaqueiro, localizados na fazenda Bom Fim, em Nísia Floresta.
O tema do debate foi o “O Coco de Embolada e sua Contribuição para o Forró”, que teve como expoentes principais Jackson do Pandeiro e Jacinto Silva, passando pelo potiguar Elino Julião e outros.
Xangai e Biliu participaram do debate antes de entrarem no palco para animar o Forró da Lua de julho, cantando e falando um pouco dos grandes compositores e cantores dessa manifestação cultural, também conhecida como Coco de Repente, onde o improviso e versos métricos são acompanhados pelos instrumentos musicais conhecidos como ganza, surdo, pandeiro e triangulo.
Defensor do ritmo autêntico do forró, Biliu arrancou risos da platéia do debate dizendo que “é mais fácil encontrar o papa no cabaré do que ele tocar forró de plástico” no seu programa na rádio Cariri, de Campina Grande, onde reside.
Dizendo-se xiita nesse sentido, Biliu disse que não toca forró estilizado no seu programa que vai de segunda a sexta-feira das 22 horas a meia noite, apenas o autêntico.
O jornalista Paulo Vanderlei Tomaz, admirador e criador do site de Luiz Gonzaga (
www.luizluagonzaga.com.br, conversou com a platéia sobre o Coco e apresentou um pouco da discografia de cantores desse ritmo, como Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva, Zito Borborema, Osvaldo Oliveira, entre outros.
Com recortes de jornais e revista das décadas de 50 e 60, principalmente, o jornalista mostrou a importância do Coco no ritmo do forró e falou um pouco de Luiz Gonzaga, “o rei do baião”. No site de Luiz Gonzaga, além de histórico do cantor, discografia, fotos, letras e notícias, o internauta vai encontrar vídeos e músicas.
Depois de Gonzagão, o Lula, como também era conhecido o cantor, o jornalista está finalizando o site de Jackson do Pandeiro.
O cantor Xangai também se considerou um xiita na defesa da música nordestina e desdenhou do pessoal que fez a Bossa Nova, como João Gilberto, Vinicius de Morais, Antonio Carlos Jobim, entre outros, afirmando que Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e companhia eram muito melhores que os criadores daquele movimento musical e cultural surgido no final da década de 50.
O debate sobre forró começou às 19 horas e foi até às 21 horas, com Xangai e Biliu cantando uma canção de Coco. Depois, começou mais um Forró da Lua.
Admiradora da música nordestina e já tocando sanfona, depois do debate, a garotinha Rute Carolina, a Carol, com seu instrumento na cor vermelha, acompanhada da mãe e um tio, foi conhecer Biliu e tocou Asa Branca para o cantor paraibano, que elogiou o desempenho da menina e gostou de saber que ainda têm jovens interessados no forró de raízes.
Forró em Debate começou em abril passado. É um evento que acontece antes do início do Forró da Lua. O seu idealizador, Marcos Lopes, pretende mantê-lo até dezembro, quando acontece o tradicional Pega de Boi no Mato e a Missa dos Vaqueiros, dois eventos que já estão atraindo a atenção das pessoas engajadas na defesa das tradições sertanejas, além de turistas ligados a cultura local dos destinos que visitam.
Segundo Marcos Lopes, o público dos debates vem crescendo a cada mês. Formado por pessoas de todas as idades, entre fãs do forró, pesquisadores, estudantes universitários, profissionais liberais e educadores, o pessoal ouve os convidados e abre-se um debate, com a platéia dirigindo perguntas aos participantes.
No primeiro evento, o tema foi Jackson do Pandeiro Vida e Obra, com a participação do pesquisador Múcio Procópio de Araújo, Biliu de Campina, Luizinho Calixto e Dácio Galvão.
Na segunda edição, Gonzagão foi o tema. O debate contou com a presença de Dominguinhos, o documentarista pernambucano Anselmo Alves e o pesquisador potiguar Kyldemir Dantas.
Xangai e Biliu
Depois desse debate de julho, Xangai, nascido Eugênio Avelino, apresentou-se para o público apreciador do forró pé-de-serra, o autêntico, com zabumba, sanfona e triangulo, numa noite chuvosa.
O cantor baiano desfilou suas canções, como “Um Abraço Pra Ti, Pequenina”, entre tantos sucessos de sua rica discografia, onde interpreta composições próprias e adaptações do folclore nordestino, em ritmo de xote, coco e toada.
O idealizador do Forró da Lua, Marcos Lopes também subiu ao palco e cantou junto com Xangai, um artista popular e menestrel, violeiro autêntico que esquentou uma noite fria de julho ao som de seu violão.
A platéia gostou, assim como o casal de gaúcho, Jader e Maitê, que de férias em Natal, foi conhecer um pouco da música nordestina. O casal gostou do Forró da Lua e dançou muito ao som de Xangai, seguindo os passos do ritmo gaúcho Vanerão, um parente do forró e do fandago.
Já nos primeiros minutos de domingo, Biliu de Campina entrou no palco e continuou fazendo a festa dançante. Batizado como Severino Xavier de Souza, advogado que trocou o Direito pelo amor ao forró de raiz, o Biliu esquentou os casais tocando suas canções irreverentes, de duplo sentido, com muito suingue, mostrando-se um autêntico discípulo do seu conterrâneo paraibano, Jackson do Pandeiro.
Autor de três discos independentes: Tributo a Jackson e Rosil; Forró O Ano Inteiro e Matéria Paga, o campinense lançou ainda dois CDs próprios com nomes sugestivos: Do Jeito Que O Diabo Gosta e Forrobodologia.
Ainda no seu estilo irreverente, Biliu em 2002, num trocadilho a campanha nacional de combate a pirataria fonografica, lançou o CD Diga Sim A Biliu de Campina.
Com toda a malícia e o humor nordestino, o artista paraibano fez um show no Forró da Lua que agradou os forrozeiros autênticos.
Serviço
Forró da Lua
Informações (84) 3201-9508
www.forrodalua.com.br